Insieme

Ensemble Insieme Juntos Nместе Together Zusammen

É doce viver no mar...

sábado, 16/ago/2008 às 21:51 por Vanderlei Martinelli

Marinheiro bonito, sereia levou.

A poesia prevalece

quinta, 31/jul/2008 às 17:57 por Vanderlei Martinelli

"Se lembrar de celebrar muito mais!" (O Teatro Mágico)


quinta, 12/jun/2008 às 11:47 por Vanderlei Martinelli

Du du du du du du dudu...

;-)


Menina com uma flor

quarta, 11/jun/2008 às 04:37 por Vanderlei Martinelli

Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara–na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.

("Para uma menina com uma flor", Vinicius de Moraes)


Na maior...

quinta, 08/mai/2008 às 22:33 por Vanderlei Martinelli

(Foto: Bianca Helena Pontes)

Não é caro o que eu queria
uma pausa pra pensar
colocar o corpo e a cabeça em dia
pra melhor recomeçar

O outono na fazenda
toda tarde cochilar
com o cheiro luxuoso
de um fogão de lenha
perfumando todo o ar

Meu cavalo pelo vale
vento no canavial
sol na pele
avermelhando a nossa cara-pálida
da cidade

...eu, você e só
todo mês de maio
na maior...

("Todo Mês de Maio Na Maior", Guilherme Arantes)


Vinte e nove

quarta, 30/abr/2008 às 12:29 por Vanderlei Martinelli

Brilha, reluz linda a própria luz, de dentro, a atravessar a noite, na escuridão da aurora é guia, e a chama, acesa, a conduz e a traz pelas mãos.

Ilumina os caminhos, no arder das noites, no nascer os dias, nascentes mágicas de alegria a brotar de seus olhos, repletos de vida e paixão.

Anda marota menina a sorrir, a cantar, a dançar... A brincar e a encantar. Em leveza, em mistério, charme e vivacidade. Em candura e beleza.

Nuances, todas. Mulher nas sutilezas e nas certezas. No caminhar, no passo, na determinação. Em verdade, em caráter e coração.

Convida ao sabor, a experimentar as possibilidades, a liberdade, a vontade e o desejo. Com vida, a realizar... O sonhar, o crescer, o expandir.

Ao luar, o mar, a emocionar. Da natureza filha, irmã e mãe. Forte e gentil a cuidar. A pedir cuidado, formosa e rara flor. De todos os verbos, o amor.


Cravos de Abril

sexta, 25/abr/2008 às 02:21 por Vanderlei Martinelli

Foram dias, foram anos a esperar por um só dia. Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doia com seus riscos e seus danos. Foi a noite e foi o dia na esperança de um só dia.

(Manuel Alegre)


Super-Homem, a postagem

segunda, 14/abr/2008 às 10:35 por Vanderlei Martinelli

Semana passada, num quarto de hotel, tentando esquecer um pouco do trabalho, me deparei assistindo Smallville na TV aberta. Dublado. Confesso que não havia assistido nenhum episódio antes... Mas achei interessante. Interessante é ver o Super-Homem como um homem normal, um jovem quase ainda adolescente, vivendo todas as perguntas, inseguranças e inquietações da idade.

Nesse episódio é onde ele descobre que tem visões especiais. Não só a de "raio X", como ficou tradicionalmente conhecido, mas como a de poder ver através das coisas, sem o efeito "raio X". Mas não estou aqui pra contar o episódio inteiro. Apenas o final.

Após ter salvo a moça por quem é apaixonado, e que namora outro rapaz, é pros braços do namorado que ela vai. Entram em casa, e lá se beijam. Ele, o Super-Homem, no momento uma pessoa tão normal e frágil como outra qualquer, vê tudo através das paredes.

Então volta-se, desconsolado, para sua mãe e pergunta: "O que você faria se fosse capaz de ver qualquer coisa?" E ela responde algo assim: "Eu procuraria aprender que há alguns momentos em que é preciso fechar os olhos."

E se você fosse capaz de sentir e perceber todas as coisas? O que faria? Há como selecionar sentimentos? Percepções? Como dizer: "ah, isso eu não vou sentir"? Não dá para não sentir, não perceber. Talvez o segredo seja então o foco? Assim como a visão, aprender quando se focar ou não em determinada coisa?

O paraíso talvez não seja viver num mundo perfeito, repleto de super-homens e super-mulheres. Mas encontrar a alegria, a felicidade e a paz, em meio de todas as frustrações, limitações e dificuldades do dia-a-dia. E imperfeições... Principalmente as próprias. A grandeza da fragilidade. Tão bela.

Após ver o Super-Homem assim tão humano e tão frágil, passei a achá-lo muito mais super. E muito mais homem.


Dezenove de Março

quarta, 19/mar/2008 às 21:37 por Vanderlei Martinelli

Poucos sabem, mas minha mãe tinha um sonho quando moça... Ou melhor, um dos sonhos. Queria ser cantora de rádio.

Para quem nasceu em 1913, criada no interior de São Paulo, em Ribeirão Preto, isso era um absurdo. Mais absurdo foi ela não ter sido cantora profissional. Dona de uma voz linda, afinada e emocionante, não foi para o rádio. Mas durante muitos anos tivemos a mais bela cantora, encantadora, só para nós. Privilégio de poucos.

Fosse diferente, talvez eu não estivesse aqui. Mas é complicado pensar no que não foi, já dizia Rilke. Cresci ouvindo as músicas que minha mãe cantava pelas tardes. Eram tardes mágicas. Uma das que ela mais gostava de cantar era essa abaixo, linda na voz de Carlos Galhardo, mas muito, muito mais na voz dela, a melhor interpretação que já ouvi. Tão nostálgica como a possibilidade. Como esta saudade.

Lembrar, deixem-me lembrar
meus tempos de rapaz no Brás
As noites de serestas
casais de namorados,
e as cordas de um violão cantando em tom plangente,
aqueles ternos madrigais.

Sonhar, deixem-me sonhar,
lembrando aquele amor fugaz.
Uma sombra em volta na penumbra
de trás da vidraça faz um gesto lânguido,
cheio de graça, imagem de um passado
que não volta mais.

Tão somente uma recordação
restou daquele grande amor
daquelas noites de luar,
daquela juventude em flor...

Hoje os anos correm muito mais
e as noites já não tem calor,
e uma saudade imensa é tudo
quanto resta ao velho trovador

("Rapaziada do Brás", Alberto Marino)


Caminhos do outono

domingo, 16/mar/2008 às 18:13 por Vanderlei Martinelli

Cai a hora azul... Sons ao longe insinuam a vinda do outono, mais perto. A brisa ainda não fria, já não quente, fresca, anuncia. As moças vestirão suas blusas. Deixarão o que antes era tão abertamente visto e desejado para a imaginação. Seus xales, seus charmes. Os tons beijarão o que é cinza. O vermelho amor já não se confundirá com as cores vivas do verão. Será nítido. Os sorrisos mais forçosos. Distinguir-se-ão da alegria comum. O brilho no olhar será visto e notado atentamente, uma surpresa explícita sem a implícita luz do sol a reluzir. A verdade será plena, não terá onde se esconder.

Os assuntos serão mais sérios. Os banhos mais esparsos e demorados... As saudades mais cortantes. Os braços, aconchegantes. Os amantes se aquecerão. Pele contra pele. Será mais preciosa a emoção. Beber-se-ão como vinhos raros. Os cobertores deixarão órfãos armários. Por um tempo. O lençol brigará com o relógio. Os olhares mais nostálgicos. O trabalho mais duro. Os dias menores. Os sonhos maiores. Sopas e chocolates quentes. Vagarão dementes os bêbados pela noite. Ao longe uivos desconexos. Rasgando o tecido do silêncio. Em dois. Em pares namorados pelas praças. Mãos dadas. Criarão o verão em si. Para dar ao outro. Tão pertos. Serão um.


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