Insieme

Ensemble Insieme Juntos Nместе Together Zusammen

O prazer

segunda, 24/ago/2009 às 23:07 por Vanderlei Martinelli

Queria que este blog fosse mais. Tivesse mais postagens originais, tivesse menos citações. Foi como foi. Esta é a última postagem. O blog cumpriu seu ciclo. E sua sina. Seu fado. Há certo tempo. E não queria que a última postagem fosse sobre dor. Apesar de a respeitar muito. A dor é uma das melhores professoras. Ensina dar verdadeiro valor ao prazer.

Então... À vida! E à grande aventura, ao grande aprendizado e ao grande prazer de viver. Sempre!

A todos que por aqui passaram, meu muito obrigado. De coração. Beijo, abraço e aperto de mão.

PS: Para ver coisas mais antigas, visite http://alecrim.vmblog.net; para ver coisas antigas, fique por aqui mesmo. Para viver coisas novas, viva, simplesmente. E, se quiser, visite: http://tantomar.vmblog.net.


A dor

domingo, 21/jun/2009 às 23:07 por Vanderlei Martinelli

"Mas, onde é que dói?" – minha mãe perguntava. Eu agravava a cara de dor, os olhos de choro... E permanecia em silêncio. Como se mudo fosse de nascença. As palavras eram como leais cúmplices sob tortura. Jamais me entregariam. Além do mais não saberiam mesmo explicar. E eu era criança. Como dizer: "Olha, mãe: eu não sei onde dói. Só sei que dói."? Eu apenas me encolhia todo e ainda mais. Mas minha mãe ouvia. Não a minha voz. A minha alma. "Hum... Eu vou ao mercado comprar milho. Será que se você comer curau, melhora?" E eu apenas esboçava um forçoso sorriso. Não o sorriso de quem já está bom, senão não faria sentido nem seria verdade. E era sentido. E era verdade. Eu não estava mesmo bom. Então concordava com um abano de cabeça. Como quem quisesse sorrir, mas sem sorrir. Um sim que ainda não foi dito. Mas já foi.

Nunca acreditei nos milagrosos poderes curadores do curau, côco, canja ou qualquer outra coisa pensada e inventada por ela na hora. Só sei que ficava bom... No decorrer do dia, é claro. E não era porque eu queria aquelas coisas. Sério. Eu não queria o fim, queria o meio. Queria o ato. Ela ir lá ao mercado e comprar seja lá o que fosse, mas antes: me olhar com aquele olhar doce. De abrigo, de proteção, de compreensão. De amparo. E cuidar e me paparicar o dia inteiro. O amor, o carinho, a preocupação. Sem querer explicação. Ela já sabia. Sabia que onde doía não dava pra explicar. E nem achava que era mentira. Pois não era. Doía. De verdade. Em algum lugar que eu não sabia, nem sei, identificar.

Hoje que aprendi a ler, poderia citar Carpinejar: "Dói onde não fui beijado". Ou, me surpreendendo com minha idade (como se ela tivesse aparecido de uma hora pra outra), dizer como Luiza Voll: "Tudo que não vivi dói". Ou hoje, que aprendi a escrever e não me contentar com os calendários passados, citar a mim mesmo, complicando e dizendo: "Tudo que eu sei que poderia ser vivido e não foi, não porque eu não quis, não porque eu não tentei (ou achei que tentei), não porque... Enfim... Dói." Mas continuo não sabendo dizer onde é que dói ou porquê. Só sei que dói. Não quero o curau, o côco ou a canja. Tampouco outra mãe. Eu quero o ato. Ser amado só porque eu existo. Sem condições, desconfianças ou explicações. E, justamente por isso, ser assim curado de toda esta dor... Profunda, importante e verdadeira. Insuportável e indizível. Invisível e sem explicação. Como continuo a ser. Para quem não me vê.


Um pouco de céu

domingo, 21/jun/2009 às 18:09 por Vanderlei Martinelli

Aos incensos queimados. Aos espinhos sangrados.

Aos namoros inacabados. Aos retratos virados.

Aos olhos desconfiados. Aos dias reinventados.

Às pétalas e rastros no chão. Aos pedaços emendados de coração.

Aos breves e belos, amores eternos. Às novas rimas em velhos cadernos.

Às idas e vindas do inferno. Ao início do Inverno.


sexta, 12/jun/2009 às 18:43 por Vanderlei Martinelli

I never felt this way before
I have seen so many islands
I never felt this way before
So in this song here I describe him

The chariots rise
Up high in the sky
What grace have I
To fall so in love
What a wonderful dream
It seems to be
'Cause I love him

I took the notes of past excursions
I read them through once more
Only to find them hard aversions
From the one true love in store

The chariots rise
Up high in the sky
What grace have I
To fall so in love
What a wonderful dream
It seems to be
'Cause I love him

Though I have waited long
And they have all been wrong
Now I find in the end
With him I need not pretend

The chariots...
They rise up high in the sky
What grace have I
To fall so in love
What a wonderful dream
It seems to be
'Cause I love him

'Cause I love him!

("Chariots Rise", Lizzie & Baba)


Perto daqui...

quinta, 11/jun/2009 às 15:07 por Vanderlei Martinelli

Lembra de mim...
Dos beijos que escrevi nos muros a giz
Os mais bonitos continuam por lá
Documentando que alguém foi feliz

Lembra de mim...
Nós dois nas ruas provocando os casais
Amando mais do que o amor é capaz
Perto daqui, há tempos atrás...

Lembra de mim...
A gente sempre se casava ao luar
Depois jogava os nossos corpos no mar
Tão naufragados e exaustos de amar

Lembra de mim
Se existe um pouco de prazer em sofrer
Querer te ver, talvez eu fosse capaz
Perto daqui ou... Tarde demais...

Lembra de mim

Lembra de mim...
A gente sempre se casava ao luar
Depois jogava os nossos corpos no mar
Tão naufragados e exaustos de amar

Lembra de mim
Se existe um pouco de prazer em sofrer
Querer te ver, talvez eu fosse capaz
Perto daqui... Tarde demais...

Lembra de mim

("Lembra de Mim", Vitor Martins & Ivan Lins)


Devolução

terça, 02/jun/2009 às 22:27 por Vanderlei Martinelli

O rio escorre as águas dos meus olhos. A foto: menina, moleca. Meu nariz de palhaço. Eu fiz. Agora o que é que eu faço? Vermelhos: caneca, balde. Vinho, chocolate e um buquê de flores. Chorar, eu posso? Ou me arrancaram também o direito? Falo a língua dos gatos. Lá do alto. Lembra? Cobertura de hotel. Nem existia sorvete de gengibre. Só quentão e quem sabe mel? E lábios pra lamber. Pressintia tantos pudores. A se derreter. Mas quais as dores que ainda iríamos ter? Não peço desculpas, porque não errei. Que raio de pecado é esse? Se sigo sem perdão. Ir ao seu encontro eu iria. Desde sempre. Sempre fui. Mas agora é em vão. É sua vez. E você não vem. Sei que não. Por que sempre fui eu a ceder? Você também não sabe. Pra quem eu pergunto? Minha dor é menor porque saiu da minha boca decisão? Ter razão não me resolve. Porque sou feito de emoção. Apenas saiba. De mim, não houve presentes. Apenas dei o que já era seu. Desde sempre. Nada de volta não. Mas agora, último favor. Só devolve. O chão. Meu coração.

(Ou então me envolve. O céu. A paixão. Pra revirarmos. O mar. Uma canção.)


Ironia

segunda, 01/jun/2009 às 21:03 por Vanderlei Martinelli

Estranhos os carinhos do vento...
Reaprendo a escrever. O cigarro não esquentaria.
(Devia ter trazido mais blusas. Tão perto do início. Quem diria?)

Estranhos os caminhos que invento.
Reaprendo a viver. O sol não aquece. Sem você,
que me esqueceria. Nem cais ou Cazuza. Vinicius. Vícios ou rebeldia.

Era coragem, medo ou covardia?
Quem é que me via? Perdeu-se entre tanta teimosia?
Quem é você? Diz. Quem que eu tanto queria?

Era miragem, cedo ou travessia?
Quem não me via? Pra quê querer-me como guia?
Fui aonde você quis. Você, menos pra onde eu iria.


Insistência

sábado, 30/mai/2009 às 00:37 por Vanderlei Martinelli

Se ela me reconquistasse... Ou, ao menos tentasse. Eu saberia que a conquistei, ao menos uma vez. Mas, que bobagem! Ninguém conquista a ninguém. Países desconhecidos e impossíveis, tesouros submersos e insondáveis. O amor...? Tudo é orgulho e vaidade. Bilhões de umbigos. A verdade é que... O amor não existe. As manhãs vivem. A gente apenas insiste.

Literal

quinta, 28/mai/2009 às 21:11 por Vanderlei Martinelli

Noutro dia almoçava junto ao pessoal do trabalho quando um deles olhou para um champignon em meu prato, apontou e, sei lá por que cargas d'água, disse: "Eu quero comer esse." Não vi que havia já um amontoado de champignons na borda de seu prato, intocados... Aliás, não vi nada. Não pensei em nada. Simplesmente coloquei meu champignon (adoro champignon) no prato dele. E continuei almoçando. A coisa mais natural do mundo. Com o demorar do silêncio percebi que algo havia acontecido. Não achei que era comigo. Finalmente olhei pra ele e vi que estava surpreso. Talvez perplexo. O outro em sua frente, também. E eu: "Que foi?" Ele: "Por que você fez isso?" Eu: "Porque você queria, uai!" Ele: "Mas eu não gosto de champignon, não lembra outro dia que falei isso?" Ué, podia não gostar naquele dia, mas gostar agora. Mas foi então que olhei pro prato dele e entendi tudo. Quero dizer, entendi que ele não gostava mesmo de champignon, não o porquê dele dizer que queria o meu se não gostava. A perplexidade talvez tenha sido pelo nojo da comida alheia em seu próprio prato... Talvez pela intimidade inesperada, da distância não calculada. Mas, muito mais provavelmente pela naturalidade do meu ato. Como o pai que obedece prontamente ao filho, sem dar tempo do pensamento se esboçar. "Eu quero a sua sobremesa!" Pronto, aí está. O chiclete da minha boca. A roupa do meu corpo. Não importa. Eu faço primeiro pra pensar depois. Se podia, se era lógico, se era adequado... Não sei. Não quero saber. Confio na boca de quem fala como se fosse o coração a pronunciar as palavras. Sou metafórico com a caneta pra ser literal na vida.

Num relacionamento, pra mim, tudo também é literal. Ela disse que sou bonito? Viro galã. Inteligente? Einstein. Que tem tesão? Sou Don Juan. Que se apaixonou? Encomendo alianças. Que me ama? Já estou casado. A menstruação não veio? Já enxergo o sorriso dos netos. Eu a brincar com eles sob o sol, sobre a grama. Uma linda manhã.

Que gosta de mim do jeito que sou? Fartarei a ambos de tanto ser eu mesmo. Transbordarei as fronteiras do suportável. Se me deu as mãos, não entendo recuos. Se está apaixonada, não aceito nada menos que devoção. Sem exigir ou querer explicação. Quer saltar? Já estou lá em cima, num avião. Tenho a certeza absoluta da companhia. Olhar e ver a outra pessoa no chão: muita decepção.

Não me contento apenas com sonhos e possibilidades. Quero ações. Realizações. Realidades.

Lembro que um dia conversávamos ela e eu sobre fantasias. Aí me deparei com um conceito estranho. Pra ela havia o desejo de fazer algo, e a fantasia em fazer algo. Pra mim eram a mesma coisa. Mas ela disse que não. O desejo de fazer, explicou, se referia a alguma coisa que a pessoa queria mesmo fazer. Que faria assim que tivesse oportunidade. A fantasia, não. A fantasia, algo que poderia ficar de forma infindável apenas na imaginação, sem jamais se concretizar, porque a pessoa, no fundo, não faria mesmo aquilo. Eu entendi, mas não achei a mim aplicável. Jamais revelei uma fantasia, por mais absurda, que não quisesse mesmo realizar. Tornar real. Viver. Não tenho fantasias que não faria quando da oportunidade. Pra mim é apenas o tempo da oportunidade existir. Ou melhor, se não existir, criá-la. Quando me dôo, todas as minhas palavras não formam frases, tornam-se confissões. Só escondo, omito ou calo quando constrangido. Quando ser eu passa a ser feio para a outra pessoa. Antes eu me abandonava. Hoje tenho aprendido a ir embora.

Não entendo de metáforas, ironias, sarcasmos, alegorias, eufemismos, disfarces, enfeites... Se falei é porque quero. Se não falei, também posso querer. Se ouvi, pra mim é verdade. Se não ouvi, imagino. Deliro. Quando confio, não me importa pra onde. Se eu convidar e ouvir "sim", já estamos juntos no mesmo barco, e caminho. Se me convidou, já somos nós a viagem, e destino.

Não ignoro a magia do mistério, é claro. Tampouco confio em qualquer um. Em qualquer uma. Para ser considerado adulto, também a aprendi a mentir. Mas, aberto, sou cândido, vulnerável, inocente. Criança. Simplesmente acredito. Verdade não carece tradução.

A brisa não pergunta. Deus existe. As nuvens são mesmo de algodão.


O escafandro e a borboleta

segunda, 25/mai/2009 às 01:23 por Vanderlei Martinelli

Falar o que direi pode parecer presunção aos 20, aos 30... Mas agora, passados alguns anos a mais, talvez não. Ou talvez sim. Eu posso sempre estar errado. E quando digo que posso, não estou apenas mencionando a possibilidade real de estar mesmo errado e nem me dar conta, mas também que posso sim estar errado, no sentido que tenho o direito de estar. O fato de eu ter nascido imperfeito é Deus dizendo-me que já vim para a vida pré-perdoado. De tudo. Então com ele pode deixar que eu me entendo. Está tudo em casa. Complicado é entender-se com todos os outros e, principalmente, comigo mesmo.

Mas não é sobre isso que eu ia falar. Ia falar de um dom que acredito que tenho. Que é o de enxergar numa pessoa seu potencial. Seus potenciais. Como ela seria se não fosse imperfeita. Se não tivesse limitações. Isso pode, em princípio, parecer uma bênção. Mas, sozinho, este dom pode ser muito prejudicial. Muito mesmo. Quantas vezes quis sair mudando todo mundo? Querendo que as pessoas enxergassem em si o que eu já enxergava tão antes e elas ainda não? Ou já enxergavam, mas sabiam que ainda não eram capazes de chegar até lá? Ou sabiam-se capazes, mas não queriam chegar até lá? Ninguém é obrigado a ser do jeito que eu vejo. Querer isso é um enorme desrespeito. Ah, e existe a também enorme possibilidade de eu estar enxergando o que não existe e estar completamente enganado. Mas aí... Eu sempre posso estar errado. O que não me dá o direito ao desrespeito, porém.

Tenho entendido que o melhor então é procurar casar esse dom com o aprendizado de também enxergar e respeitar as limitações de cada um. E o direito, inalienável, da pessoa ser quem escolheu e escolhe ser. Quando escolher ser. Isso se quiser escolher. "Ah, eu tenho um talento inigualável pra pintura? Que bom saber, mas eu não quero ser pintor." Então tá... Tá tudo bem. Não ficar então insistindo ou presenteando essa pessoa com cavaletes, telas e tintas. Ou... "Que bom que tenho talento pra pintura. Gostaria de ser pintor, mas não acho que consiga." Então tá bem também. Um dia quem sabe? Está aí minha dica. Se você escolher ser pintor, será um dos melhores. Gostaria apenas que lembrasse que a qualquer momento você pode escolher ser o que quiser.

Fácil falar, né? Estou tentando aplicar isso... Mas, principalmente, respeitar minhas próprias limitações. Pois também consigo enxergar (um tanto vagamente, admito) como eu seria não fossem elas. Não fosse eu tão imperfeito. E tenho descoberto por vivência o que é óbvio em qualquer frase feita ou livro de auto-ajuda. Que a única pessoa que podemos mudar somos nós mesmos. E ir vencendo essas limitações próprias. Empurrando os limites para mais longe, enquanto não consigo ultrapassá-los. O que também não é nada fácil. Mudar a mim mesmo? Sim e sempre. Mas também descobrir o que não quero mudar. Mesmo que para os outros seja errado ou não seja útil, bonito ou admirável. Coisas que gosto de ser e gostaria de continuar sendo. Coisas que sei que um dia não serei mais, mas por enquanto quero ou preciso que seja. E não me iludir achando que posso viver sem elas. Que posso ignorar minha própria natureza em nome de... Seja o que ou quem for. Por mais importante. Eu também sou importante. Quem me ama que também me respeite.

Um dia acordei ao seu lado com uma intuição... Uma impressão esquisita após um sonho. Eu simplesmente sabia que alguém muito próximo morreria em 2010. A sensação quando acordei me contava que era eu mesmo. Fiquei pensando naquilo... Eu que já achei que ia morrer nunca. Eu que já quis a morte algumas vezes. Encontrei-me sem medo dela. Mas também sem a ânsia de encontrá-la. Nem o adiamento nem a pressa. Quando acontecer será naturalmente. No ano que vem ou em 2067. Cazuza disse que morrer não dói. Pressinto que não deve doer mesmo. A dor é deixar, no meio, uma festa que continuará sem nós. Que não aproveitamos ou não dançamos as músicas que queríamos porque nos achávamos incapazes ou nos achariam (ou nos acharíamos) ridículos.

Dói é ver a pessoa partindo sem saber quando a encontraremos novamente. Que aprenderemos a viver sem ela e ela sem nós. Esse pressentimento da saudade, que é apenas a ponta ainda da dor que se tornará. Até, depois do tempo, evaporar e ficar apenas a essência do que é bom na saudade. De tudo que nos parecia trivial, mas que é essencial e já não temos. A gente tem isso de achar que o fim existe. Sendo que tudo é eterno. A gente tem isso de achar que tudo é eterno... Quando sabemos que tudo é efêmero. Que sempre haverá tempo pra dizer ou demonstrar aquilo que tivemos preguiça ou falta de coragem em dizer. Ou que fomos pequenos mesmo e nos negamos dizer. Ou demonstrar. Ou fazer. O amor é o ridículo da vida, também dizia Cazuza. Entendo o que ele quis dizer, mas acredito que o amor não é o ridículo da vida. É a própria vida. Ridículos somos nós que o sentimos, mas não temos a menor nem a mais vaga idéia de como lidar com ele.

Essa pureza impossível. Esse ideal de perfeição. Perfeição que, se não há em um, haverá em outro. E ainda não entendemos que não há em ninguém. A beleza do ser humano está em sua imperfeição. Em como descobre maneiras de vencê-la dia após dia e ir além. Para descobri-la ainda tão maior, a imperfeição. E a si mesmo também. Tão enorme. Como nem ousava imaginar ser. Tão belamente imperfeito.

Deus, admirador da beleza, fez assim por bem nos criar imperfeitos. Para poder contemplar como somos belos quando humanos. Se quisesse outros iguais a si teria criado espelhos. Mas somos sim, de alguma forma, seus espelhos. Porque Deus também não é perfeito. (Embora ele, diferentemente de nós, não cultive a ilusão de um dia vir a ser.)

As borboletas são perfeitas. Mas existem e vivem apenas por 24 horas.


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