O meu amor tem pétalas, de um vermelho que inicia pelo rubor. E desabrocha, pleno, em livre e aberto despudor.
Pétalas que em instantes podem chamar outra cor. E outra cor. E outra... Colorindo-se vão... Deliciando e deliciando-se... Nua em pelo, sendo já a pele, desejo encarnado: em cortejos de borboletas, em beijos de beija-flor, as pétalas do meu amor.
Que espontâneas desprendem-se, formam-se asas. Solta-se e voa. E se voa... Como voa... Como é belo o vôo do meu amor!
Admirar sua dança, doce estremecer. Onde vai buscar no céu o prazer, gozar do sol o dia. Preenchê-lo de ousadia. Encharcá-lo de coragem, destemor.
Lava-se de lágrimas. Leva nos olhos, curiosos, o encanto. Riso de criança. A atenção do bom observador.
Para trazer nas garras, na garra, da guerra, o perfume da paz, confiança, sementes de novas descobertas, aprendizados de conexas lembranças... E então descansa para germinar um outro furor. Em todo seu vigor, a vida. O sabor.
Pois que em todos os jardins, de todas as florestas... Nem dedicada florista, sábio ou poeta: colher, descrever, de escrever... Tão única, de tão exótica, mensurar todo o valor, de tão rara flor. Preciosa. A mais linda: o meu amor.