Este carnaval foi muito diferente do que eu gostaria que tivesse sido. Principalmente por minha saúde física não ter estado muito saudável nesses últimos dias. Mas é interessante isso: nem sempre o que mais gostaríamos é o melhor. Às vezes o que acontece é como deveria ter sido, independentemente do que achamos a respeito, para que o melhor mesmo possa acontecer depois. Aceitar isso não é lá muito fácil. Mas é um bom aprendizado também. É preciso enxergar além do óbvio.
Enxergar além do óbvio... Quantas vezes eu já disse isso? Muitas. E vou continuar dizendo. Pra que eu mesmo não esqueça. Enxergar além do óbvio, pra mim, é enxergar além mesmo. Além do superficial, além do que aparenta ser. É sondar, ir mais fundo, mergulhar. Enxergar aberta, livre e amplamente mesmo. Querer entender, compreender, descobrir, desvendar e aprender as coisas. Por que são assim? Por que se dão assim? Por que somos assim? Por que nos comportamos assim? E se fossem diferentes? E se fôssemos diferentes? Quem disse que não são? Quem disse que não somos? Quem disse que são? Quem disse somos?
As perguntas não têm fim. E as respostas também não. Embora as que sabemos sejam poucas, se é que sabemos alguma. A resposta nos encontra apenas quando estamos preparados para suportá-la, encará-la ou entendê-la. E, muitas vezes, nos vem quando não estamos perguntando. Ou, até mesmo, quando já até esquecemos que pergunta era. Isso não é desculpa para parar de perguntar e querer saber, entretanto. Mas, entre tantas perguntas, também é bom saber que há uma hora em que elas precisam de descanso. Assim como nós. Há esse tempo de digestão. Para que depois se retorne à fome, com maior claridade do que se quer realmente comer e experimentar.
Ia fazer uma postagem falando do carnaval, durante o carnaval. Mas também não saiu. Teceria minha opinião sobre o que acho dele. Mas, quem quer saber? Faz diferença dizer? Mas é legal isso, do carnaval ter, de alguma forma, relação com certos aspectos da minha infância, influenciando também conceitos de beleza, sensualidade, sexualidade, expressão e cultura. Embora eu mesmo não tenha sido nem seja do ou no meio carnavalesco.
Depois haveria uma outra postagem contando a história de um príncipe japonês... Que também não saiu. Ouvi a história há pouco tempo e achei que seria legal contá-la aqui. Ou talvez não. Fico imaginando o quanto é de interesse o que se escreve aqui ou não. Ou melhor, o que escrevo ou não. Pra quê escrevo ou não. Pra quem escrevo ou não. Aumentar a consciência e estar mais consciente a cada dia que a cada dia sei que sei ainda menos do que eu imaginava saber... Dá nisso. Às vezes perco o sentido de escrever. Talvez o auge do aprendizado seja descobrir derradeiramente que não se sabe mesmo nada. Mas também talvez se dê como no limite da matemática: talvez nesse ideal jamais se chegue, apenas se aproxime cada vez mais. Então cultivamos a ilusão que sabemos algo. Talvez isso nos leve adiante, para mais perto do destino. Que é saber que não se sabe absolutamente nada. Talvez, e só aí, a liberdade plena. Principalmente a de ser livre de nós mesmos e do que achamos que sabemos ou achamos que somos. Somos o que sabemos? Sabemos o que ou quem somos?
E, então, esta postagem era ou poderia ser também sobre "ser". Se as pessoas (eu incluso, é claro) sabem o que é isso. E também e então era pra ser ou seria sobre liberdade. E de como o amor e a liberdade são (ou deveriam ser, se é amor e liberdade mesmo) intimamente e extremamente relacionados. Depois seria como muitas vezes o que é dito pode ser entendido de forma diferente do que se sentiu ao dizer. Como cada um cria uma realidade diversa para a mesma coisa dita ou acontecida. Enfim... Saiu esta postagem, do jeito que vocês estão (ou não) lendo.
Há algum tempo os textos não me encontram. E mesmo o pouco que tenho escrito ou dito, em vários aspectos e espectros da minha vida, tem sido interpretado diferente do que eu sentia ao dizer, do que eu quis mesmo dizer. Talvez porque eu esteja mesmo muito longe de saber descrever o que sinto. Ou porque tudo que sinto é muito maior do que pode ser descrito. Ou porque tudo pode ser entendido diferente. E aí e então: pode porque pode mesmo. Tem sempre a liberdade de ser. Porque tudo é livre, porque todos somos. E, mesmo depois de e se entendido (talvez), eu custo a entender porque não fui entendido antes... Por que eu complico o simples? Por que simplifico o complexo? E mais perguntas, e respostas que não sei ou não sei se um dia saberei. Ou as saberei, desnecessárias. E nós, a vida e a viagem... O amor, o aprendizado. Todos tão necessários. Aliás, a vida não é uma viagem. Apenas uma parte dela, mas aí já é outra história. Também literalmente. Parte de outra tão maior.
Mas, enfim... Os textos não me encontram porque muitas vezes estavam eles de férias mesmo... De mim. Noutras porque eu estava ocupado em outros lugares distantes de onde estavam... Ou, ainda, porque passei algum tempo brigado com eles ou mesmo fugindo deles. Mas, nos reconciliaremos... Sempre nos reconciliamos. E nos encaramos. Depois nos abraçamos. E nos descobrimos mais e criamos com isso e a partir daí, ainda melhor. Muito mais. Muito além do óbvio, do aparente ou superficial. Espero. Que seja assim. Porque começo e fim não existem. Tudo é diverso, ao mesmo tempo que é uma coisa só. Depende de como se enxerga, de quem enxerga e se está ou não enxergando. Mesmo que diferente, mesmo que igual, mas realmente enxergando ou se empenhando em enxergar.
A última coisa que gostaria de descobrir sobre a vida é que "tanto faz". Mas, nem sempre o que gostaríamos é o melhor. E se essa for a verdade? Que, na verdade, jamais houve, há ou haverá "verdade" alguma? Que, ao mesmo tempo, sempre tudo foi de verdade. Tudo o que foi verdade. E até o que parecia ou era mesmo mentira. A verdade... Que cada um constrói a sua, a que acha melhor pra si. Então, é e não é "tanto faz". Depende de quem ou até onde se enxerga. Então há a construção. De quem somos. Então que seja... Mas pelos moldes próprios, não alheios, de quem queremos ou desejamos ser. Ou, então, sem molde algum. Com ou sem sentido. Mas com sentimentos imensos e verdadeiros. E que se construa...! Com e de verdade. A diferença muitas vezes é admitir que não se sabe fazer diferente. E ter a coragem para ser, e ser diferente. Mesmo quando o igual mudou e a mudança continua semelhante. Não há resposta a descobrir. Porque a verdade sempre esteve, está e estará num único lugar: dentro de nós. Paradoxalmente tão perto, por isso tão distante.
Tudo muito complexo? Nada! Tudo muito simples. Por isso muitas vezes tão difícil de enxergar e vivenciar. Amar não exige esforço, sacrifícios ou respostas. O amor é. Simplesmente é. Leve. Imenso. Intenso. Natural. Livre. Nele a única resposta que realmente interessa e existe: ele mesmo é a resposta, a verdade e o sentido. O que desejo e espero mesmo estar aprendendo. Primeiramente a aprender. Aprendê-lo. Saber o amor, sem então já sabê-lo. Porque ele serei eu, sem eu saber ou entender como, quando ou por quê. Porque ser é muito mais que saber. E o amor, a alma e muito mais. Um caminho sem fim, para qualquer destino. Sabido, escolhido... Ou a saber e a escolher. A descobrir ou a aceitar... Ou, o melhor de tudo, e tudo junto, a criar.