'Não é que eu seja feminista, mas existem certas coisas que só as mulheres entendem. Existe um tipo de amor que só as mulheres possuem. Existe uma aperto no coração que só as mulheres sentem. Existem uma rotina cansativa e uma luta diária que só as mulheres resistem. E persistem. Não é que eu seja feminista, mas existe uma história que só as mulheres sabem contar. Que poucos ainda podem entender.'
Este meu plágio descarado sobre o poema original de Éle Semog não é à toa. Hoje é o Dia Internacional das Mulheres. Um dia que, como o Dia da Consciência Negra, só existe para lembrar que todos os outros ainda não são. Que existem hoje mulheres sendo espancadas, mortas, violentadas, vendidas como animais ou mercadorias pelo mundo... E que pouco se faz sobre isso. Mas, além, a violência "branca" do dia-a-dia. Aquele sorriso sarcástico, infame e injusto de certos homens, e até mulheres, diante da injustiça sutil e diária, não menos nociva.
E também... Para agradecer ao próprio Éle Semog, por ter entrado em contato (fiquei muto emocioado com isso, conheço seu poema desde 2000 ou 2001 e a emoção se repete). E por ter contado que não é angolano (embora adoraria), mas brasileiro, do Rio de Janeiro.
E, aproveito também para dizer que tomei a liberdade de usar seu poema sobre os negros, para falar das mulheres... Porque há coisas que só os negros entendem. Há coisas que só as mulheres entendem. Mas que ninguém mais parece querer ouvir, entender ou dar atenção.
Negros nem mulheres são minorias no Brasil e em várias outras partes do mundo. Nem por isso, em pleno século 21 (repleto ainda de machos-brancos-adultos no comando), conseguem o direito de ser tratados simplesmente como são: Seres lindos e humanos. Lindos e fortes... Lindos e grandes... Lindos e frágeis... Lindos e lindos. Simplesmente lindos.
(O amor é sempre maior que todas as injustiças. Um dia todos entenderão.)