Semana passada, num quarto de hotel, tentando esquecer um pouco do trabalho, me deparei assistindo Smallville na TV aberta. Dublado. Confesso que não havia assistido nenhum episódio antes... Mas achei interessante. Interessante é ver o Super-Homem como um homem normal, um jovem quase ainda adolescente, vivendo todas as perguntas, inseguranças e inquietações da idade.
Nesse episódio é onde ele descobre que tem visões especiais. Não só a de "raio X", como ficou tradicionalmente conhecido, mas como a de poder ver através das coisas, sem o efeito "raio X". Mas não estou aqui pra contar o episódio inteiro. Apenas o final.
Após ter salvo a moça por quem é apaixonado, e que namora outro rapaz, é pros braços do namorado que ela vai. Entram em casa, e lá se beijam. Ele, o Super-Homem, no momento uma pessoa tão normal e frágil como outra qualquer, vê tudo através das paredes.
Então volta-se, desconsolado, para sua mãe e pergunta: "O que você faria se fosse capaz de ver qualquer coisa?" E ela responde algo assim: "Eu procuraria aprender que há alguns momentos em que é preciso fechar os olhos."
E se você fosse capaz de sentir e perceber todas as coisas? O que faria? Há como selecionar sentimentos? Percepções? Como dizer: "ah, isso eu não vou sentir"? Não dá para não sentir, não perceber. Talvez o segredo seja então o foco? Assim como a visão, aprender quando se focar ou não em determinada coisa?
O paraíso talvez não seja viver num mundo perfeito, repleto de super-homens e super-mulheres. Mas encontrar a alegria, a felicidade e a paz, em meio de todas as frustrações, limitações e dificuldades do dia-a-dia. E imperfeições... Principalmente as próprias. A grandeza da fragilidade. Tão bela.
Após ver o Super-Homem assim tão humano e tão frágil, passei a achá-lo muito mais super. E muito mais homem.