Insieme

Ensemble Insieme Juntos Nместе Together Zusammen

Azul

sexta, 27/fev/2009 às 00:25 por Vanderlei Martinelli

arte: MeemzZz

Qual é a coisa mais importante para um ser humano? Complicado responder, não? Porque cada um de nós tem seus próprios valores e prioridades na vida. O que determinada pessoa acha importante pode ser completamente sem importância pra outra. A saúde? O amor? A prosperidade? Independentemente da ordem de prioridade, acho que todos nós queremos isso. Mas a pergunta inicial persiste. Vamos tentar descobrir então. Primeiro vamos pensar... Quando um indivíduo comete um ato definido como crime pela sociedade onde vive, qual é a forma de punição mais usada? A prisão? Sim... E estar preso não é o contrário de estar livre? Uma das coisas comuns em uma punição, seja qual for, é tirar da pessoa aquilo que tem mais valor pra ela. Privar ela dessa coisa. Nesse caso, da prisão, a primeira coisa retirada da pessoa é a liberdade. Então pode-se dizer que a liberdade é a coisa mais importante na vida de uma pessoa? Provavelmente.

Citei no parágrafo anterior a saúde. Sem saúde não somos realmente livres. A falta dela priva-nos da liberdade. E, como já citei numa outra ocasião, não estar doente não é o mesmo que ter saúde. É triste ver que uma considerável parte da humanidade hoje em dia vive sem saúde. Não necessariamente doentes, mas sem saúde. Sem vitalidade. Sem liberdade, portanto. Além de exigir das entidades responsáveis em nos propiciar um sistema de saúde adequado, digno e justo (e sem precisarmos pagar duplamente por um serviço que já é muito bem pago através de nossos impostos), precisamos também cuidar da nossa própria saúde. Dedicar-nos a isso. E quando digo saúde me refiro à física, mental, emocional e espiritual.

Citei o amor. Sem amor também não somos realmente livres. Precisamos amar e sermos amados. Demonstrar nossos sentimentos, perceber e viver os sentimentos de quem nos rodeia. O amor nos leva à ação, nos leva ao bem-estar, ao prazer e à felicidade. A falta dele nos leva à tristeza, à desesperança e à letargia... E assim também não é possível a liberdade. Viemos aqui neste mundo para sermos tudo que podemos ser. Sem amor não somos. É preciso cultivar nossas amizades, nossos amores. Como é preciso agir e se dedicar às pessoas que amamos. Fazer coisas por elas é, ao mesmo tempo, fazer por nós. Quem ama vive melhor. Também preciso é amarmos a nós mesmos. Princípio imprescindível para darmos amor verdadeiro e sermos mesmo livres. Quanto mais nos doamos mais nos temos. Amor é o princípio de toda e qualquer criação.

Também citada foi a prosperidade. Há um desequilíbrio enorme na humanidade a respeito dela. Uns acham que ricos vão pro inferno. Outros acham que qualquer coisa é justificável para alcançar a riqueza. Mas ambição e ganância são coisas diferentes. Temos direito a uma vida confortável financeiramente que nos leva a ter uma vida confortável com o que o dinheiro pode nos propiciar também. Ninguém precisa ser milionário pra isso. Tampouco é preciso ser pobre para ser "puro". A pobreza priva a pessoa de muitas coisas. Escraviza... E quem é escravo está preso. E quem está preso não tem liberdade. Há no mundo mais que suficiente para todos. Viemos a esse mundo também para sermos prósperos. Com honestidade e equilíbrio. A recompensa pelo valioso esforço que fazemos diariamente. Um fruto justo do nosso trabalho. Assim como o outro: o prazer de trabalhar, produzir e criar.

Além disso, é preciso dizer que merecemos e temos direito à dignidade e ao respeito. À alegria, ao lazer e ao ócio. À educação, à cultura e ao aprendizado. Aprendizado de tudo. Principalmente de nós mesmos. Sem alguma dessas coisas também não somos livres. Viemos ao mundo para explorar, para aprender, para crescer. Como já disse, para sermos tudo que podemos ser. Não aceite menos. Menos que isso não é ser livre. Porque fomos criados livres. Não sendo, já não somos nós. Lute pela sua liberdade e pela liberdade daqueles que nem têm como lutar. E lute com afinco, com vontade, com verdade. Aliás, já foi dito há muito tempo: "Conhecereis a verdade e ela vos libertará". Sim, a verdade. Tanto a nossa quanto a alheia. Tanto a bonita quanto a feia. Viva de verdade. Viva a liberdade. A sua e a do próximo. Querendo e respeitando a liberdade do próximo como se fosse a sua. A sua como se fosse a do próximo.


Artesanal

segunda, 09/fev/2009 às 06:01 por Vanderlei Martinelli

O amor, minha cara, é coisa rara. Não é bala perdida no meio da favela, entre esse e aquela, numa viela, na escuridão. É um rosto perdido na multidão. E o desejo provoca este ensejo, de dizer o que a boca não fala e o sim sai pelos poros, pelas mãos. Cria essa coisa bonita que é a paixão e a vontade de se largar mais não.

O amor, minha rara, é coisa cara. Não custa dinheiro, é certo. Mas custa afeto, tempo, dedicação. É pra se estar perto quando longe, dentro quando perto. É planta que se rega, não dia-sim dia-não. Dá-se o coração que não se compra, nem está à venda. Salta ao precipício, alegre, em precipitação. Doa-se a emoção. Faz-se um dueto, duas vidas, uma única canção.

O amor, minha cara, minha coisa rara, não é para amador. É para amador, aquele que ama. E faz a cama, pra depois desarrumar. Cria um destino inteiro pra depois se acabar. E vem aquele choro tão bonito, aquela tristeza profunda, um desatino sem explicação. Vontade de ter terminado não. E então recomeça, feito festa, feito reconciliação. Feito fome, feito pão. Comida. Sem partida. Sem competição. Com tesão. Artesanal entrega: o amor é feito à mão.


Copyright © 2007-2009 Vanderlei Martinelli. Todos os direitos reservados.